Dados da Abrafrigo mostram avanço nas vendas externas de carne in natura; queda no preço médio por tonelada desafia faturamento.
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O setor exportador de carne bovina do Brasil encerrou o mês de março de 2026 com resultados mistos, segundo o balanço divulgado pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo). O país exportou 9% mais carne bovina in natura em comparação com o mesmo período do ano anterior, consolidando o Brasil como o principal fornecedor global da proteína. No entanto, o levantamento destaca que o ritmo de crescimento foi menor do que o observado nos dois primeiros meses do ano, sinalizando uma acomodação na demanda internacional.
Um dos pontos de atenção para os produtores e indústrias é o preço médio da tonelada exportada, que apresentou uma queda em relação a 2025. Isso significa que, embora o Brasil esteja enviando um volume maior de carne para o exterior, o retorno financeiro em dólares por cada quilo vendido diminuiu, o que pressiona as margens de lucro dos frigoríficos e, consequentemente, reflete no preço pago pela arroba ao pecuarista.
Principais Destinos e Mercado Chinês
A China continua sendo o principal destino da carne brasileira, mas a diversificação de mercados tem sido uma estratégia crucial para o setor.
- Desaceleração: A redução no ritmo de crescimento em março é atribuída a uma estabilização nos estoques de grandes compradores asiáticos e a um aumento na concorrência com a Austrália.
- Novos Mercados: Países do Médio Oriente e o mercado norte-americano têm aumentado as encomendas de cortes específicos, ajudando a equilibrar a balança comercial.
- Logística: O escoamento via portos do Sudeste e a saída pelo Arco Norte continuam operando em plena capacidade, apesar das recentes variações nos custos de frete marítimo internacional.
Reflexos para o Mato Grosso
Para o estado de Mato Grosso, que detém o maior rebanho bovino do país e é responsável por uma fatia expressiva das exportações, a desaceleração no ritmo de crescimento exige cautela. Com o preço médio por tonelada em queda, a eficiência na gestão de custos dentro da porteira e nos processos de BPO financeiro das indústrias torna-se o diferencial para manter a rentabilidade. O cenário reforça a importância de Mato Grosso investir na certificação de carne sustentável e rastreada, visando acessar mercados que pagam prémios sobre o preço médio da commodity.
