Mercado pecuário opera em ritmo cadenciado no início do mês, com analistas projetando pressão positiva diante da entressafra e escalas apertadas.
As cotações do boi gordo iniciaram o mês de junho mantendo a estabilidade que marcou as últimas semanas nas principais praças pecuárias do Brasil. No entanto, o cenário de calmaria no mercado físico pode estar com os dias contados, uma vez que analistas do setor começam a desenhar uma tendência de reajustes e valorização do arroba no curto prazo.
Atualmente, os frigoríficos vêm trabalhando com escalas de abate relativamente confortáveis, mas que começam a apresentar sinais de encurtamento. A oferta de animais terminados em pasto está diminuindo gradativamente devido ao avanço do período seco, que reduz a qualidade das pastagens e força a transição para o confinamento. Esse fator sazonal deve restringir o volume de gado pronto para o abate disponível no mercado nas próximas semanas.
Pelo lado da demanda, o mercado interno de carne bovina demonstra resiliência, impulsionado pelo início do mês, período em que a entrada dos salários na economia costuma aquecer o consumo na ponta final do varejo. Adicionalmente, o ritmo acelerado das exportações de carne in natura segue retirando volumes expressivos do mercado doméstico, dando sustentação aos preços e aumentando o poder de barganha dos pecuaristas.
Diante desse quadro de transição para a entressafra, a expectativa é de que as indústrias frigoríficas encontrem maior dificuldade para originar matéria-prima sem ceder a prêmios mais altos. Pecuaristas capitalizados já começam a reter lotes na tentativa de forçar valorizações na arroba, indicando que o viés para o fechamento da primeira quinzena do mês tende a ser de alta.
