Pressão da colheita na América do Sul e recuo dos contratos futuros em Chicago desvalorizam a oleaginosa nas praças brasileiras.
Os preços da soja registraram uma forte queda no mercado brasileiro nos primeiros dias de junho, intensificando o movimento de desvalorização que já vinha se desenhando no fechamento do mês anterior. A retração nos valores da oleaginosa foi provocada por uma combinação de fatores técnicos internacionais e pelo avanço final da colheita e comercialização da safra na América do Sul.
No cenário externo, a Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBF), que atua como o principal balizador global para o setor de grãos, operou em campo negativo, pressionada pelas previsões de clima favorável e chuvas regulares para o plantio e desenvolvimento da nova safra de grãos nos Estados Unidos. A perspectiva de uma oferta norte-americana robusta fez com que fundos de investimento liquidassem posições e forçassem os contratos futuros para baixo.
Internamente, a pressão exercida pelo lado da oferta também pesou sobre as cotações nas principais praças de comercialização do país. Com a safra sul-americana consolidada e os armazéns cheios, produtores brasileiros precisaram acelerar a liquidação de alguns lotes para cumprir compromissos financeiros e liberar espaço físico, aumentando a disponibilidade do grão em um momento de demanda doméstica mais cadenciada por parte das indústrias esmagadoras.
Diante do recuo generalizado nos preços e com as margens de lucro mais apertadas, o ritmo de novos negócios travados no mercado físico operou de forma lenta. Grande parte dos agricultores optou por se retirar das mesas de negociação, limitando as vendas apenas aos volumes estritamente necessários e aguardando uma possível reação do dólar ou um repique técnico nas bolsas internacionais para retomar as vendas de volumes expressivos.
