Queda nos preços da carne de aves e estabilidade do boi gordo impulsionam o consumo; cenário favorece o bolso do consumidor.
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O mercado de proteínas animais no Brasil apresenta um cenário de forte mudança na dinâmica de preços neste mês de abril de 2026. Segundo dados do setor, a competitividade da carne de frango em relação à carne bovina atingiu o seu nível mais alto nos últimos quatro anos. Essa disparidade de preços torna o frango uma opção extremamente atraente tanto para o consumo doméstico quanto para o setor de serviços, como restaurantes e processadoras.
A principal razão para este fenómeno é a combinação de uma oferta robusta de carne de frango no mercado interno e uma redução nos custos de produção, especialmente no preço do milho e do farelo de soja, que compõem a base da ração das aves. Enquanto isso, o preço da carne bovina, embora estável, não acompanhou a mesma tendência de queda, mantendo-se num patamar que amplia o fosso de preços entre as duas proteínas.
O Impacto no Poder de Compra
Para o consumidor, o indicador de competitividade é sentido diretamente no supermercado. Atualmente, a quantidade de quilos de frango que se pode adquirir com o valor de um quilo de corte bovino de primeira (como o coxão mole ou a alcatra) é significativamente superior à média histórica. Esse cenário induz à “substituição de proteína”, onde as famílias optam pelo frango para equilibrar o orçamento mensal sem abrir mão da qualidade nutricional.
- Oferta em Alta: O ciclo de produção de aves é curto, permitindo ajustes rápidos no mercado.
- Custo de Ração: A boa safra de grãos em estados como Mato Grosso tem favorecido o barateamento da nutrição animal.
- Exportações: O Brasil mantém a liderança global, mas o excedente de produção tem sido direcionado com vigor para o mercado interno.
Perspectivas para o Agronegócio
Para os produtores de Mato Grosso — estado que é um gigante na produção de grãos e que vem expandindo a sua capacidade de abate de aves — este cenário exige uma gestão financeira rigorosa. A alta competitividade do frango estimula o volume de vendas, mas as margens de lucro dependem diretamente da manutenção dos custos operacionais baixos. Para a indústria frigorífica, o momento é de otimizar a logística e aproveitar a janela de consumo interno aquecido enquanto as exportações seguem em ritmo constante.
