Baixa oferta interna e valorização do dólar impulsionam cotações da pluma no mercado nacional
O preço do algodão em pluma no mercado brasileiro registou uma subida significativa, atingindo o seu nível mais alto nos últimos nove meses. A valorização é impulsionada por uma combinação de factores económicos, incluindo a baixa disponibilidade de algodão de qualidade superior para entrega imediata no mercado interno e a recente valorização do dólar face ao real, o que torna a exportação mais atractiva e pressiona os preços domésticos.
Analistas do sector observam que muitos produtores, especialmente em regiões como Mato Grosso e Bahia, já comercializaram grande parte da sua safra anterior e estão agora focados no desenvolvimento da nova temporada. Esta postura retraída dos vendedores, que aguardam preços ainda mais competitivos, tem limitado o volume de negócios no mercado spot (pronta entrega), forçando as indústrias têxteis nacionais a elevar as suas ofertas de compra para garantir o abastecimento das suas linhas de produção.
Além do cenário cambial, o mercado internacional na Bolsa de Nova Iorque também tem apresentado volatilidade, influenciando as paridades de exportação. Com o dólar em patamares elevados, o produto brasileiro ganha competitividade no exterior, o que gera uma disputa entre a procura externa e o consumo das fiações internas. Especialistas alertam que, embora o momento seja favorável para o produtor que ainda possui stocks, a indústria de transformação pode repassar este aumento de custos para os produtos finais, como tecidos e vestuário.
A expectativa para os próximos meses depende do ritmo das colheitas da nova safra e das condições climáticas. Se a oferta se normalizar com a entrada da nova produção a partir de junho e julho, os preços poderão encontrar um novo equilíbrio. Por enquanto, a tendência permanece de firmeza nas cotações, consolidando o algodão como um dos destaques de rentabilidade no agronegócio brasileiro neste primeiro semestre de 2026.
