Levantamento detalha o impacto imediato da retirada de tarifas para itens específicos após a ratificação de novos termos comerciais.
A implementação das novas cláusulas do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia trará um alívio tarifário imediato para uma fatia estratégica do agronegócio brasileiro. De acordo com um levantamento setorial divulgado nesta sexta-feira, os produtos que passam a ter isenção total de impostos de importação somam um valor de exportação estimado em US$ 700 milhões. A medida beneficia principalmente nichos de alto valor agregado e produtos processados que antes enfrentavam barreiras fiscais para entrar no mercado europeu.
Entre os itens contemplados pela isenção estão óleos vegetais, frutas frescas selecionadas, produtos da horticultura e derivados de cana-de-açúcar que não estavam incluídos nas cotas principais. A retirada dessas tarifas aumenta a competitividade do produto brasileiro frente aos concorrentes internacionais, permitindo que exportadores médios e cooperativas ampliem sua participação em países como Alemanha, França e Holanda. O fim das taxas alfandegárias é visto como um estímulo para a diversificação da pauta exportadora, reduzindo a dependência exclusiva das commodities brutas.
Especialistas do setor indicam que o montante de US$ 700 milhões representa apenas o impacto direto e imediato nas receitas, sem considerar o potencial de crescimento de volume que a maior competitividade deve gerar a médio prazo. A isenção também atende a uma demanda antiga por melhores condições de acesso para produtos sustentáveis e com certificações de origem, que possuem forte apelo junto ao consumidor europeu em 2026.
Embora as grandes cadeias de proteína animal e grãos ainda operem sob o sistema de cotas e transições graduais, a liberação tarifária para este grupo de produtos sinaliza um avanço na integração comercial. O setor produtivo brasileiro agora foca na adaptação às normas técnicas e fitossanitárias exigidas pelo bloco, visando garantir que o benefício financeiro da isenção se converta em uma presença sólida e permanente do agronegócio nacional em solo europeu.
