Conflitos no Oriente Médio e restrições na China criam crise de disponibilidade sem precedentes para o agronegócio.
O cenário para o mercado de fertilizantes em 2026 atingiu um ponto crítico de preocupação global. Segundo análises recentes discutidas no podcast CBN Agro, a oferta de insumos para os próximos ciclos agrícolas deve ser a menor já registada na história moderna. O alerta decorre de uma “tempestade perfeita” que combina a escalada das tensões no Oriente Médio, responsável por grande parte da ureia e logística global, e as novas restrições de exportação impostas pela China, especialmente em relação aos fosfatados.
No Brasil, o impacto é imediato e severo. Após um recorde de consumo de 49,1 milhões de toneladas em 2025, as entregas devem recuar para cerca de 47,2 milhões de toneladas em 2026 — não por falta de demanda, mas por escassez de produto e preços proibitivos. O mercado já observa altas de até 50% no preço da ureia em janelas curtas de tempo, forçando o produtor a reconsiderar estratégias de adubação e, em casos extremos, a redução da área plantada para a próxima safra.
Da Crise de Preço à Crise de Disponibilidade
Especialistas apontam que o risco migrou de uma simples oscilação de custos para uma crise de disponibilidade real. “O problema agora não é apenas o quanto custa, mas se o fertilizante chegará ao porto”, destaca o relatório do Rabobank. Com 88% dos fertilizantes consumidos no Brasil sendo importados, a vulnerabilidade do agronegócio nacional às rotas marítimas e sanções geopolíticas ficou exposta. A interrupção de envios do Golfo Pérsico afeta diretamente grandes produtores como o Brasil, Índia e Tailândia.
Neste contexto, a recente decisão da Petrobras de retomar a fábrica de Três Lagoas (MS) ganha contornos de urgência estratégica, embora o alívio na produção nacional só seja esperado para o final da década. Para o ciclo 2026/27, o produtor brasileiro terá que lidar com uma relação de troca deteriorada e a necessidade de otimizar cada quilo de nutriente aplicado no solo para garantir que a produtividade não despenque junto com a oferta global.
