Preço do boi gordo tem mais um dia de queda com pressão dos frigoríficos

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Escala de abates alongada e consumo interno moderado permitem que indústrias forcem baixas nas cotações da arroba

O mercado físico do boi gordo registou mais uma jornada de desvalorização nesta quarta-feira, consolidando uma tendência de queda que se tem verificado ao longo de abril. A pressão exercida pelos frigoríficos tem sido eficiente, sustentada por escalas de abate que se encontram confortáveis e preenchidas para os próximos dias, o que retira a urgência de compra por parte das unidades de processamento.

De acordo com analistas do setor pecuário, a oferta de animais prontos para o abate tem sido suficiente para suprir a procura, que se mantém cautelosa. Além disso, o escoamento da carne no mercado retalhista interno não tem apresentado o vigor necessário para sustentar preços mais elevados na ponta produtora. Com o poder de compra do consumidor pressionado, a indústria opta por reduzir os preços oferecidos pela arroba para tentar equilibrar as suas margens operacionais.

No campo, o pecuarista enfrenta um cenário de braço de ferro. Enquanto alguns produtores tentam segurar os animais nas pastagens, aproveitando o final do período de chuvas em certas regiões para ganhar peso, a pressão baixista das indústrias acaba por forçar negócios em patamares inferiores, especialmente para lotes de animais que já atingiram o ponto ideal de terminação e não podem mais ser mantidos na propriedade sem gerar custos adicionais elevados.

A expectativa para o curto prazo é de que o mercado continue a operar de forma lateralizada ou com ligeiras correções negativas, até que haja uma alteração significativa na procura externa ou uma redução mais acentuada na oferta de fêmeas, que costumam aumentar o volume de abates nesta época do ano. A atenção dos agentes agora volta-se para o início de maio, quando o pagamento dos salários pode dar um fôlego temporário ao consumo doméstico e estabilizar as cotações.

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