Excesso de oferta e baixo poder de compra da população pressionam cotações no mercado interno.
O mercado de suinocultura no Brasil enfrenta um cenário desafiador neste mês de abril. De acordo com levantamentos do setor, os preços do suíno vivo e da carne suína registaram quedas acentuadas nas principais regiões produtoras. O recuo nas cotações é resultado de uma combinação de fatores, com destaque para a oferta elevada de animais prontos para o abate e uma procura interna que não tem conseguido absorver o volume disponível.
Analistas indicam que o baixo poder de compra das famílias brasileiras, somado à concorrência com outras proteínas, como o frango, tem dificultado o escoamento da produção. Além disso, o início do mês — período em que geralmente há um aquecimento no consumo devido ao pagamento dos salários — não foi suficiente para sustentar os preços, que continuaram a trajetória de baixa mesmo com a estabilidade nos custos de alguns insumos.
Impacto nas Regiões Produtoras
Em estados como Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o preço pago ao produtor pelo quilo do suíno vivo sofreu desvalorizações significativas, em alguns casos superando os 10% de queda acumulada nas últimas semanas. No atacado, as carcaças e cortes específicos também acompanharam o movimento, forçando os frigoríficos a ajustar as suas tabelas para evitar o aumento dos stocks em câmara fria.
Perspectivas para o Setor
Para o restante do mês, a expectativa é de que o mercado tente encontrar um ponto de equilíbrio. Os suinocultores monitoram de perto os preços dos grãos (milho e farelo de soja), que compõem a maior parte dos custos de produção. Se a oferta de animais continuar alta e o consumo doméstico permanecer estagnado, novas pressões negativas podem ocorrer. Por outro lado, o setor deposita esperanças na manutenção do ritmo das exportações, que pode ajudar a retirar o excesso de oferta do mercado interno e equilibrar as cotações no curto prazo.
