Preços do feijão caíram no fim de março, mas média mensal superou a de fevereiro

Agro

Oscilação entre oferta e demanda marca o encerramento do primeiro trimestre; feijão carioca e preto apresentam comportamentos distintos no mercado.

O mercado de feijão no Brasil encerrou o mês de março de 2026 com uma dinâmica de preços mista, conforme levantamento divulgado pelo Globo Rural. Embora a reta final do mês tenha registrado um movimento de queda nas cotações em importantes praças produtoras e centros de distribuição, a média consolidada de março superou os valores registrados em fevereiro. Esse fenômeno é explicado pela pressão de demanda ocorrida no início do mês, somada a gargalos logísticos e incertezas climáticas que afetaram a colheita da primeira safra em algumas regiões do país.

De acordo com analistas do setor, a queda observada nos últimos dias de março deve-se à entrada de novos lotes de feijão carioca de melhor qualidade, o que aumentou a disponibilidade do produto nas prateleiras e forçou um ajuste negativo nos preços pagos ao produtor. No entanto, o feijão preto manteve uma sustentação maior, influenciado pela oferta mais restrita e pela preferência de consumo em determinadas janelas sazonais. O “efeito gangorra” nos preços reflete a sensibilidade do grão a qualquer variação no ritmo de escoamento das lavouras para os atacados.

Para o consumidor, o impacto nas gôndolas foi de uma percepção de preços elevados durante a maior parte do mês, com uma leve tendência de estabilização ou recuo apenas nos primeiros dias de abril. A média mensal superior a fevereiro acendeu o alerta para a inflação de alimentos da cesta básica, embora a expectativa para o segundo trimestre seja de maior equilíbrio, à medida que a colheita da safra das águas se consolida e o abastecimento se regulariza nos grandes centros urbanos como São Paulo, Rio de Janeiro e Cuiabá.

A perspectiva para as próximas semanas depende do comportamento do clima e da estratégia de venda dos produtores. Em Mato Grosso, estado que desempenha papel relevante na produção de feijão caupi e outras variedades, o monitoramento das cotações internacionais e do frete continua sendo essencial para definir a rentabilidade da cultura. O setor agora volta os olhos para o plantio da segunda safra, esperando que a estabilidade de preços no campo incentive a manutenção das áreas plantadas para garantir o abastecimento interno no segundo semestre de 2026.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *