Escassez de fruta de qualidade e demanda firme para o setor de suco impulsionam cotações no mercado doméstico.
O mercado de citros iniciou o mês de abril de 2026 com viés de alta nos preços da laranja. Segundo levantamento do Cepea, a baixa disponibilidade de laranjas de mesa com padrão de qualidade exigido pelo varejo, somada à forte disputa das indústrias de suco pela matéria-prima, tem sustentado os valores em patamares elevados. A entressafra prolongada e os efeitos climáticos nas principais regiões produtoras de São Paulo e do Triângulo Mineiro limitaram a oferta de frutas precoces neste início de segundo trimestre.
A demanda por parte das processadoras de suco de laranja permanece aquecida, refletindo a necessidade de recomposição de estoques globais que operam em níveis historicamente baixos. Esse cenário cria uma competição direta com o mercado de fruta fresca, elevando o preço médio da caixa de 40,8 kg colhida e entregue. Para o consumidor final, o reflexo já é sentido nas gôndolas dos supermercados e nas feiras livres, onde o preço da dúzia de laranja pera registrou aumentos significativos na primeira semana de abril.
Especialistas do setor citrícola apontam que a incidência do greening (amarelão) continua sendo o maior desafio fitossanitário, reduzindo a longevidade dos pomares e a produtividade por árvore. Em Mato Grosso, embora a produção seja menor comparada ao cinturão citrícola do Sudeste, os produtores locais têm aproveitado a valorização para expandir áreas de cultivo irrigado, buscando atender o consumo regional que também sofre com a alta dos fretes interestaduais.
A expectativa para o restante do mês é de que os preços se mantenham firmes, uma vez que a colheita da safra principal 2026/27 ainda deve demorar algumas semanas para ganhar ritmo. Até lá, a oferta deve seguir restrita às variedades mais temporãs e aos estoques remanescentes, mantendo o setor em alerta sobre a evolução dos custos de produção, especialmente em relação a defensivos e fertilizantes que acompanham a volatilidade do dólar.
