Preço do algodão regista no Brasil a maior alta mensal em mais de três anos

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Impulsionado pela quebra de safra nos EUA e pela forte procura externa, o indicador Cepea subiu 12% em março; Mato Grosso lidera valorizações.

O mercado brasileiro de algodão encerrou o mês de março com uma valorização histórica, atingindo a maior alta mensal dos últimos 38 meses. De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o indicador da pluma acumulou uma elevação de 12,4% no período, impulsionado por uma combinação de escassez de oferta global e uma corrida das indústrias nacionais para garantir stock diante da paridade de exportação favorável. O preço da libra-peso ultrapassou marcas que não eram vistas desde o auge da crise logística de 2021, consolidando um cenário de margens elevadas para os produtores.

A disparada dos preços é explicada, em grande parte, pelo cenário internacional. Os Estados Unidos, um dos maiores exportadores mundiais, enfrentam previsões de quebra de safra devido a condições climáticas adversas nas principais regiões produtoras. Este fator, somado à instabilidade logística no Mar Vermelho — que encarece o frete da pluma asiática —, deslocou a procura global para o algodão brasileiro. Em Mato Grosso, estado responsável por mais de 70% da produção nacional, o preço da arroba acompanhou a tendência, beneficiando os agricultores que ainda possuem lotes da safra passada para comercializar.

No mercado interno, a indústria têxtil brasileira começa a sentir a pressão nos custos de produção. Com a pluma mais cara, o repasse para o fio e, consequentemente, para o vestuário torna-se inevitável. Analistas da consultoria Safras & Mercado apontam que muitos compradores domésticos estavam “curtos” em stocks, esperando por uma queda nos preços que não ocorreu, o que gerou uma pressão de compra adicional na última quinzena de março. A valorização do dólar frente ao real também contribuiu para manter os preços em patamares elevados, tornando o produto brasileiro extremamente competitivo no exterior.

Apesar do otimismo dos produtores com os preços atuais, o setor observa com cautela o aumento nos custos de insumos para a próxima safra. Fertilizantes e defensivos agrícolas registaram altas moderadas, o que exige uma gestão financeira rigorosa para garantir a rentabilidade. Para abril, a expectativa é de que o mercado mantenha a firmeza, especialmente se a colheita no hemisfério norte continuar a apresentar problemas. Em Mato Grosso, o foco dos cotonicultores agora volta-se para o desenvolvimento da safra recorde que está no campo, com a esperança de que a produtividade compense os desafios logísticos de escoamento.

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