Procura aquecida por parte das indústrias de proteína animal e incertezas sobre a safrinha mantêm cotações elevadas no mercado interno.
O preço do milho continua a apresentar uma tendência de valorização nas principais regiões consumidoras do Brasil nesta segunda-feira (9 de março). O movimento de alta é impulsionado por uma combinação de procura interna firme, especialmente por parte dos setores de avicultura e suinocultura, e pela postura cautelosa dos produtores, que aguardam definições mais claras sobre o desenvolvimento da segunda safra (safrinha) antes de fechar novos negócios.
Nas regiões que concentram grandes polos de processamento e consumo, como o Sul e partes do Sudeste, a disponibilidade de cereal no mercado físico permanece restrita. Muitos compradores têm encontrado dificuldade em repor os seus stocks a preços mais baixos, uma vez que o produtor rural, capitalizado pela colheita da soja, prefere segurar o milho à espera de patamares de preços ainda mais atraentes, dada a volatilidade do cenário internacional e o aumento dos custos logísticos.
Clima e Exportações
As condições climáticas para a safrinha também entram no radar dos investidores e influenciam os preços. Embora o plantio tenha avançado bem em grande parte do país, a previsão de chuvas irregulares em janelas críticas de desenvolvimento gera receio quanto ao volume final da colheita. Este cenário de incerteza produtiva, somado à manutenção de um ritmo constante de exportações nos portos brasileiros, reduz a pressão de oferta no mercado doméstico.
Analistas de mercado sugerem que a tendência de curto prazo é de manutenção ou de ligeiros ajustes positivos nas cotações, a menos que ocorra uma mudança brusca no câmbio ou no mercado externo. Para as indústrias consumidoras, o desafio atual reside em gerir as margens de lucro, que são comprimidas pelo alto custo da ração, enquanto monitorizam a evolução das lavouras no campo e a competitividade do milho brasileiro no mercado global.
