Commodity devolve ganhos iniciais e encerra o dia no terreno negativo; avanço da colheita no Brasil e cautela com a economia global pressionam as cotações.
O mercado da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) apresentou uma mudança de comportamento nesta segunda-feira (9 de março), encerrando a sessão com os preços em queda. Após iniciar o dia com ligeiras altas, motivadas pela incerteza geopolítica no Médio Oriente, os contratos futuros da oleaginosa perderam força ao longo do pregão, pressionados pela entrada da safra sul-americana e por um movimento de realização de lucros por parte dos investidores.
Analistas de mercado apontam que o ritmo acelerado da colheita no Brasil, que projeta números recordes para este ciclo, tem aumentado a oferta disponível no mercado global, retirando o suporte para preços mais elevados nos Estados Unidos. Além disso, o fortalecimento do dólar face a outras moedas e a preocupação com uma possível desaceleração do consumo na China — o principal importador mundial — contribuíram para o recuo das cotações no encerramento do dia.
Cenário Interno e Exportações
No Brasil, a queda em Chicago reflete-se diretamente nas cotações internas, embora a desvalorização do real possa atenuar parcialmente as perdas para o produtor nacional. O foco do setor agora volta-se para os próximos relatórios de oferta e procura do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que devem trazer novos balanços sobre os stocks mundiais e a procura externa pela soja norte-americana.
Para os produtores brasileiros, o momento exige cautela na comercialização, uma vez que a volatilidade tem sido a marca das últimas semanas. Especialistas recomendam atenção redobrada aos custos de logística e ao comportamento do câmbio, que continuarão a ser fatores decisivos para a rentabilidade da safra 2025/2026 enquanto a colheita avança pelas principais regiões produtoras do país.
