China deve travar habilitações de mais unidades frigoríficas do Brasil

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Postura cautelosa do governo chinês sinaliza pausa em novos processos de certificação, afetando expectativas do setor pecuário brasileiro

O governo da China deve adotar uma postura mais rígida e suspender, temporariamente, a habilitação de novas unidades frigoríficas brasileiras para exportação de carne bovina. A sinalização de um “travão” nos processos de certificação surge num momento em que o gigante asiático reavalia as suas necessidades de importação e a sua estratégia de segurança alimentar, após um período de intensa abertura de mercado em 2024 e 2025.

Analistas de comércio exterior indicam que a decisão chinesa não está ligada a questões sanitárias específicas, mas sim a um ajuste de mercado. Com os estoques internos elevados e o aumento da produção doméstica na China, a necessidade de ampliar rapidamente o número de fornecedores estrangeiros diminuiu. Para o Brasil, que possui a China como o seu principal destino das exportações de carne, a medida representa um balde de água fria para empresas que realizaram investimentos em modernização à espera da licença para exportar.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) tem mantido diálogos constantes com as autoridades alfandegárias chinesas (GACC), mas fontes próximas às negociações afirmam que o ritmo de aprovações será muito mais lento em 2026. Atualmente, dezenas de plantas frigoríficas brasileiras aguardam na fila pela vistoria ou pela validação final de documentos.

Este cenário de espera pode acentuar a concentração das exportações em grandes grupos que já possuem unidades habilitadas, dificultando a entrada de frigoríficos de médio porte no mercado internacional premium. Além disso, a incerteza sobre novas habilitações pode gerar uma pressão negativa nos preços da arroba do boi gordo no mercado interno, uma vez que a oferta de gado padrão exportação teria menos canais de saída.

Especialistas recomendam que o setor pecuário diversifique os seus mercados para reduzir a dependência da China. Embora os embarques para os chineses continuem volumosos através das plantas já autorizadas, o fim do ciclo de habilitações rápidas obriga os frigoríficos a procurar alternativas no Sudeste Asiático, no Médio Oriente e na União Europeia para manter as margens de lucro.

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