Condições climáticas e maturação desigual dos grãos atrasam o início dos trabalhos nas principais regiões produtoras do Brasil
O início da colheita de café da safra 2026/27 no Brasil apresenta um ritmo mais lento do que o esperado para este final de abril. De acordo com o acompanhamento de consultorias especializadas e cooperativas, os trabalhos de campo ainda estão em fase inicial, concentrados principalmente em áreas de café conilon (robusta) no Espírito Santo e em Rondônia, enquanto as lavouras de arábica em Minas Gerais e São Paulo seguem em estágio de maturação.
Dois fatores principais explicam este arranque vagaroso. O primeiro é a maturação irregular dos frutos, fruto de floradas desuniformes ocorridas no final do ano passado. Muitos produtores optaram por aguardar mais alguns dias para evitar a colheita de uma grande quantidade de grãos verdes, o que prejudicaria a qualidade final da bebida e reduziria o valor de mercado do produto. O segundo fator é o clima; embora o tempo seco seja ideal para a colheita, frentes frias pontuais e a humidade residual em algumas regiões têm feito com que as máquinas e as equipas de apanha manual avancem com cautela.
No mercado, este atraso inicial gera uma expectativa de oferta restrita no curto prazo, mantendo os preços firmes nas bolsas de mercadorias. A indústria nacional e os exportadores acompanham de perto o desenvolvimento dos trabalhos, uma vez que o Brasil é o maior fornecedor global de café e qualquer oscilação no ritmo da colheita impacta as cotações internacionais em Nova Iorque e Londres.
A expectativa é que o ritmo ganhe força a partir da segunda quinzena de maio, quando a maior parte das lavouras de arábica atingir o ponto ideal de maturação. Até lá, o setor mantém o foco na logística e na preparação dos terreiros e secadores, esperando que as condições meteorológicas colaborem para uma safra de boa qualidade, compensando o início mais tardio da temporada.
