Relatório do USDA aponta queda na comercialização de soja, milho e trigo; retração da procura chinesa e concorrência com a safra sul-americana explicam o recuo
As vendas de grãos dos Estados Unidos destinadas à exportação registaram uma queda acentuada na semana encerrada a 19 de fevereiro, de acordo com o mais recente relatório de vendas externas divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O recuo atingiu as principais commodities agrícolas do país, com destaque para a soja e o milho, cujos volumes ficaram abaixo das expectativas dos analistas de mercado.
No caso da soja, as vendas líquidas somaram volumes significativamente inferiores aos registados na semana anterior. Especialistas indicam que este movimento é um reflexo direto da menor procura por parte da China, que tem direcionado as suas compras para o Brasil, onde a colheita da nova safra está a avançar e a oferecer preços mais competitivos no mercado internacional. A valorização do dólar também tem tornado o produto norte-americano menos atrativo para os importadores globais.
O milho e o trigo também acompanharam a tendência de baixa. No caso do milho, embora a procura interna nos EUA permaneça estável, as vendas para o exterior enfrentam a resistência de compradores que aguardam a entrada da safrinha brasileira no mercado global. A queda nas vendas semanais gerou uma reação imediata na Bolsa de Chicago (CBOT), onde os contratos futuros operaram em terreno negativo após a divulgação dos dados.
Para o setor agrícola brasileiro, estes dados reforçam a janela de oportunidade para o escoamento da produção nacional. Com a quebra no ritmo das exportações dos EUA, o Brasil consolida-se como o principal fornecedor mundial de soja neste período do ano. O mercado continuará atento aos próximos relatórios semanais do USDA para perceber se esta retração é pontual ou se indica uma mudança mais profunda na dinâmica de trocas comerciais para o restante da temporada 2025/2026.
