Setor produtivo nacional reage à proposta em estudo pelo Governo, alegando que medida desestimula investimentos e ameaça a soberania energética do país.
A reação das usinas de biodiesel à sinalização do Governo Federal sobre a possível abertura das importações do combustível foi imediata e incisiva. Nesta segunda-feira (9 de março), entidades que representam a indústria nacional de biocombustíveis manifestaram forte oposição à medida, argumentando que a entrada de produto estrangeiro no mercado brasileiro pode comprometer anos de investimentos em tecnologia e infraestrutura nacional.
Para o setor produtivo, o Brasil possui capacidade instalada suficiente para atender à procura interna e cumprir os cronogramas de mistura obrigatória ao diesel fóssil. As usinas sustentam que a importação de biodiesel, muitas vezes produzido com subsídios em outros países ou com matérias-primas que não seguem os mesmos critérios rigorosos de sustentabilidade do modelo brasileiro, configura uma concorrência desleal que coloca em risco milhares de empregos diretos e indiretos na cadeia do agronegócio.
Argumentos Técnicos e Económicos
Os representantes das usinas destacam que o setor é um dos principais motores da economia circular no país, agregando valor à soja e incentivando a agricultura familiar. “Autorizar a importação num momento de consolidação da nossa indústria é enviar um sinal de insegurança jurídica aos investidores”, afirmou um porta-voz de uma das principais associações do setor. Eles defendem que o foco do governo deveria estar no incentivo à produção local e na melhoria da logística de distribuição, e não na abertura de mercado para produtores externos.
Além das questões económicas, o setor levanta a bandeira da soberania energética. As usinas argumentam que depender de biodiesel importado tornaria o custo do transporte brasileiro ainda mais vulnerável às oscilações do mercado internacional e a crises geopolíticas. O setor agora articula reuniões com membros do Ministério de Minas e Energia e do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) para apresentar estudos técnicos que comprovem a viabilidade do abastecimento nacional sem a necessidade de recorrer ao produto estrangeiro.
