Redução da oferta, instabilidade climática e aumento nos custos de produção impulsionam o preço do fruto nos principais centros atacadistas do país.
O preço do tomate tornou-se um dos principais vilões do orçamento doméstico neste início de 2026. Segundo levantamentos recentes, o fruto já acumula uma alta superior a 20% apenas nos primeiros meses do ano, com valorizações acentuadas em importantes centros de distribuição, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Em cidades como Campinas, os índices de aumento superaram a média nacional, refletindo um desequilíbrio acentuado entre a oferta e a procura.
Especialistas do setor apontam que a principal causa para esta disparada é a redução drástica da oferta no início de março. Após um período de pico de colheita no final de 2025, o ritmo das lavouras diminuiu significativamente. Além disso, a safra de 2026 tem enfrentado desafios climáticos severos: as temperaturas elevadas e o excesso de chuva em regiões produtoras aumentaram a pressão de pragas e doenças fitossanitárias, prejudicando a qualidade e a quantidade de frutos disponíveis para o mercado.
Custos de Produção e Geopolítica
Outro fator determinante para a manutenção dos preços elevados é o custo de produção. A instabilidade internacional, agravada por conflitos no Médio Oriente (como a crise no Irão), impactou diretamente o preço de insumos essenciais, como os fertilizantes, e o custo do combustível para o transporte das mercadorias. A menor área plantada em algumas regiões, em comparação com o ciclo anterior, também contribui para que o volume que chega aos entrepostos seja insuficiente para conter a alta dos preços.
Embora se espere uma estabilização com a entrada da safra de inverno a partir de junho, o cenário de curto prazo permanece de alerta para o consumidor. O mercado hortifrutícola deve continuar a acompanhar de perto a evolução das condições meteorológicas, que continuam a ser o fator de maior risco para a volatilidade dos preços do tomate e de outras hortaliças ao longo de 2026.
