Tensões comerciais entre Estados Unidos e China pressionam cotações da oleaginosa, que registra queda diante de possíveis barreiras alfandegárias
Os preços da soja fecharam em queda na Bolsa de Chicago nesta terça-feira (24.02), pressionados pelas incertezas em torno da política comercial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O mercado reage com cautela à possibilidade de novas tarifas sobre produtos importados, o que levanta temores de retaliação por parte da China, principal comprador da commodity norte-americana.
O contrato para março de 2026 recuou 1,25%, encerrando o dia cotado a US$ 9,85 por bushel. Analistas do setor explicam que a postura protecionista da atual administração em Washington gera um ambiente de instabilidade para o agronegócio global, uma vez que o mercado chinês pode buscar alternativas em outros fornecedores, como o Brasil, caso as tensões tarifárias se intensifiquem.
Além do fator geopolítico, a colheita avançada na América do Sul contribui para a pressão negativa nos preços. A safra brasileira, que caminha para volumes recordes, amplia a oferta mundial e limita o fôlego de recuperação das cotações em Chicago no curto prazo. No mercado interno brasileiro, o impacto foi atenuado pela variação do dólar, que mantém os preços em patamares estáveis para o produtor nacional.
O setor de farelo e óleo de soja também acompanhou a trajetória de queda, refletindo a retração da demanda industrial e a expectativa de menores margens de esmagamento. Investidores aguardam novos comunicados oficiais da Casa Branca e dados de exportação semanal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para calibrar as próximas movimentações financeiras.
Para os produtores, o cenário exige cautela na comercialização. A volatilidade gerada pelas decisões políticas nos Estados Unidos deve continuar sendo o principal vetor de preços nas próximas semanas, somando-se à evolução do clima nas áreas produtoras da Argentina, que ainda define o potencial produtivo da safra 2025/2026.
