Seguro pecuário atinge recorde histórico no Brasil, mas a penetração no rebanho continua baixa

Agro Geral

Apesar da expansão expressiva da arrecadação no setor, a proteção do efetivo bovino nacional enfrenta desafios estruturais e culturais para alcançar uma cobertura mais abrangente.

O início de 2026 trouxe um marco significativo para o agronegócio brasileiro: o setor de seguros pecuários alcançou um volume de arrecadação recorde. Este desempenho positivo reflete o crescimento da atividade económica e uma maior valorização do património pecuário. Contudo, os números revelam um paradoxo: embora os valores investidos em apólices sejam inéditos, a percentagem do rebanho bovino nacional efetivamente coberta por seguros permanece reduzida, estimando-se que seja inferior a 3%.

Este cenário evidencia uma lacuna estrutural na gestão de riscos da pecuária brasileira. Enquanto o setor produtivo investe em tecnologia de ponta e melhoramento genético para aumentar a produtividade, a adoção de mecanismos de proteção contra imprevistos — como doenças, acidentes ou eventos climáticos extremos — ainda não acompanha este ritmo de modernização.

Desafios para a Expansão

Especialistas apontam que a baixa penetração do seguro no rebanho decorre de uma combinação de fatores. Entre eles, destaca-se a limitada “cultura de seguro” no campo, onde muitos produtores ainda encaram a proteção como um custo dispensável em vez de um investimento estratégico. Adicionalmente, existe um desconhecimento generalizado sobre o funcionamento e a viabilidade dos produtos disponíveis no mercado.

Outro ponto de diferenciação importante reside na distinção técnica: o seguro pecuário, voltado para a atividade produtiva, difere do chamado “seguro de animais”, destinado a criações de elite, domésticas ou de competição. Esta confusão, aliada à ausência de benefícios fiscais em certas modalidades, acaba por desestimular a adesão por parte do pecuarista convencional.

O Futuro da Gestão de Risco

Para reverter este quadro, a indústria seguradora e as entidades do setor defendem a necessidade de uma maior disseminação de informação e a integração do seguro como uma ferramenta essencial na gestão financeira da propriedade rural. A expectativa é que o mercado amadureça, criando produtos mais acessíveis e adaptados à realidade dos pequenos e médios produtores.

O potencial para expansão é vasto. Superar os desafios culturais e promover a educação financeira no meio rural são passos fundamentais para que o Brasil consiga proteger o seu rebanho — um dos maiores do mundo — com a mesma eficiência com que o produz. A estabilidade do setor, num contexto de alterações climáticas e volatilidade de preços, dependerá, em grande medida, da capacidade do pecuarista em transformar a proteção em parte integrante do seu negócio.

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