Safra de cana 2025/26 é encerrada com preços maiores para o etanol, mas queda para o açúcar

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Balanço final do ciclo sucroenergético aponta valorização do biocombustível no mercado interno e retração nas cotações internacionais da commodity doce

O encerramento da safra de cana-de-açúcar 2025/26 trouxe um cenário de contrastes para o setor sucroenergético brasileiro. De acordo com os dados consolidados pelas principais consultorias do agronegócio e entidades do setor, o período foi marcado por uma recuperação significativa nos preços do etanol, enquanto o açúcar enfrentou uma trajetória de desvalorização em comparação ao ciclo anterior.

A valorização do etanol foi impulsionada pela robusta demanda no mercado interno e por uma política de preços mais competitiva frente à gasolina. Com o consumo de biocombustível em alta, as usinas conseguiram remunerar melhor o metro cúbico vendido, compensando, em parte, os custos de produção que permaneceram elevados devido aos insumos agrícolas. Além disso, a antecipação da entressafra em algumas regiões produtoras contribuiu para a sustentação dos preços nas bombas.

Por outro lado, o açúcar, que vinha de um período de recordes históricos, sofreu uma correção negativa. A queda nos preços internacionais da commodity foi motivada pelo aumento da oferta global, com safras positivas em outros grandes players mundiais, como a Índia e a Tailândia. Esse excedente no mercado externo pressionou as cotações na Bolsa de Nova York, reduzindo as margens de lucro das exportações brasileiras que, embora volumosas, não atingiram os mesmos patamares financeiros de 2024.

O balanço final da safra 2025/26 também destacou a resiliência do setor diante de desafios climáticos pontuais enfrentados no Centro-Sul do país. Para o próximo ciclo, 2026/27, a expectativa é de uma moagem estável, com o setor monitorando de perto as variáveis de câmbio e a transição energética global, que segue abrindo portas para o etanol como combustível sustentável e base para o hidrogênio verde.

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