Preço do milho cai no mercado brasileiro nos primeiros dias de abril

Agro

Avanço da colheita da safra de verão e menor demanda de exportadores pressionam cotações; mercado interno monitora clima para a safrinha.

Os preços do milho no mercado brasileiro iniciaram o mês de abril de 2026 em trajetória de queda. De acordo com o levantamento do Cepea, o recuo nas cotações é reflexo do aumento da oferta interna, impulsionado pelo avanço da colheita da safra de verão em importantes estados produtores, como o Rio Grande do Sul e o Paraná. Além disso, a postura mais cautelosa dos compradores, que aguardam patamares ainda menores, tem reduzido o ritmo de negócios no mercado físico.

No porto de Paranaguá, o preço da saca de 60 kg registrou uma desvalorização nominal, influenciada também pela queda nos contratos futuros na Bolsa de Chicago e pela valorização do real frente ao dólar no início do mês. Esse cenário retira a atratividade das exportações no curto prazo, fazendo com que uma fatia maior da produção seja direcionada ao consumo doméstico, especialmente para as indústrias de proteína animal (aves e suínos), que aproveitam o momento para recompor estoques.

Apesar da pressão negativa no curto prazo, o mercado permanece em estado de alerta quanto ao desenvolvimento da “safrinha” (segunda safra). Em Mato Grosso e em Goiás, o regime de chuvas em abril será determinante para definir o potencial produtivo das lavouras. Qualquer sinal de estiagem prolongada ou antecipação de frentes frias pode reverter a tendência de baixa, uma vez que a segunda safra é responsável pela maior parte do volume de milho produzido no Brasil.

Para os produtores, o momento exige uma gestão estratégica da comercialização. Com os custos de frete e insumos ainda em patamares elevados, a queda no preço da saca aperta as margens de lucro. Analistas sugerem que o produtor monitore de perto a paridade de exportação e as janelas de plantio, buscando proteger-se da volatilidade através de contratos de opções ou vendas programadas, garantindo assim a sustentabilidade financeira da operação diante das incertezas climáticas e econômicas de 2026.

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