Setor alcança marca histórica impulsionado pelo cultivo de tilápia e pelo crescimento das espécies nativas; faturamento e exportações também registam recordes
A piscicultura brasileira atingiu um marco histórico ao ultrapassar, pela primeira vez, a marca de 1 milhão de toneladas de peixes de cultivo produzidos num único ano. Os dados, consolidados pelo anuário da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) e divulgados nesta quarta-feira (25.02), confirmam o Brasil como um dos grandes protagonistas globais da aquicultura, com um crescimento robusto e constante na última década.
A tilápia continua a ser o principal motor deste crescimento, representando mais de 60% do volume total produzido. A eficiência produtiva, o melhoramento genético e a consolidação de grandes polos produtores, especialmente no Paraná e em São Paulo, permitiram que a espécie mantivesse a sua hegemonia no mercado nacional e expandisse a sua presença no mercado externo, com destaque para as exportações de filetes frescos para os Estados Unidos.
Além da tilápia, a produção de peixes nativos — liderada pelo tambaqui e pelos seus híbridos — mostrou sinais de recuperação e crescimento, especialmente na região Norte e no Mato Grosso. O setor de espécies nativas tem beneficiado de novos investimentos em tecnologia de processamento e de uma maior organização da cadeia produtiva, o que permitiu levar o produto a mercados mais distantes das áreas de origem.
O faturamento do setor também acompanhou o aumento de volume, impulsionado pela profissionalização dos produtores e pela abertura de novos mercados internacionais. Especialistas do setor apontam que o próximo desafio da piscicultura brasileira é aumentar o consumo per capita interno, que ainda é considerado baixo em comparação com outras proteínas animais, e continuar a investir em sustentabilidade e biossegurança para garantir a competitividade global.
