Valorização do animal de reposição é impulsionada pela baixa oferta de machos e pela demanda aquecida dos frigoríficos, refletindo o cenário de alta desde o final de 2025.
O mercado de reposição de gado no Brasil atravessa um momento de valorização expressiva em 2026. Segundo levantamentos recentes do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o bezerro Nelore, com idade entre 8 e 12 meses, está a ser negociado acima de R$ 3.000 por cabeça na grande maioria das 28 regiões acompanhadas pela entidade. Este movimento de alta, que ganhou força desde o final do ano passado, consolida-se neste início de março.
A dinâmica atual do mercado é sustentada por dois pilares principais: a oferta restrita e a demanda firme. De um lado, o volume de machos disponíveis entre os criadores encontra-se abaixo dos níveis históricos, o que reduz a liquidez no momento da compra. De outro, os pecuaristas terminadores (confinadores e recriadores) mantêm-se ativos nas aquisições. A necessidade de repor os lotes de bois gordos que saem das fazendas para o abate — frequentemente destinados a atender à forte demanda das exportações de carne bovina — obriga o setor a buscar animais de reposição, intensificando a concorrência nas negociações.
Impacto no Planeamento Estratégico
O atual patamar de preços exige cautela e um planeamento financeiro rigoroso por parte do pecuarista. Especialistas destacam que a margem de lucro no sistema de terminação torna-se mais estreita à medida que o custo de reposição sobe, exigindo ganhos redobrados em eficiência produtiva e gestão sanitária para compensar o investimento inicial elevado.
Historicamente, o período entre março e maio é caracterizado por uma procura sazonal aquecida por animais de reposição, o que pode sustentar as cotações em níveis elevados durante os próximos meses. O setor agropecuário segue monitorizando o comportamento dos preços, atento às variações do mercado externo e ao impacto do ciclo pecuário sobre a disponibilidade de animais, fatores que continuarão a ditar o ritmo das negociações na “porteira para dentro” ao longo do restante do ano.
