Geopolítica no Médio Oriente e preocupações com a oferta global impulsionam os preços da commodity; mercado monitoriza o impacto no setor sucroenergético brasileiro.
Os contratos futuros do açúcar encerraram a sessão desta segunda-feira (9 de março) com uma forte valorização na Bolsa de Nova Iorque (ICE Futures). O preço do açúcar bruto saltou mais de 3%, impulsionado principalmente pelo agravamento das tensões armadas no Irão, que elevou o preço do petróleo e, por consequência, a expectativa de maior procura por biocombustíveis em detrimento da produção de açúcar nas usinas.
O mercado global de edulcorantes reage à lógica de que, com o petróleo mais caro, as usinas brasileiras — os maiores produtores mundiais — tendem a desviar uma parte maior da cana-de-açúcar para a produção de etanol. Este movimento reduz a oferta disponível de açúcar no mercado internacional, gerando uma pressão ascendente nas cotações em Nova Iorque. Além do fator petróleo, analistas apontam que problemas climáticos pontuais em outros grandes produtores, como a Índia e a Tailândia, também contribuem para um balanço de oferta e procura mais apertado.
Reflexos no Brasil
Para o setor sucroenergético brasileiro, a alta em Nova Iorque representa uma oportunidade de melhoria nas margens de exportação, especialmente quando combinada com a valorização do dólar frente ao real. No entanto, o setor permanece atento à volatilidade. Se a crise no Médio Oriente se prolongar, o aumento dos custos de frete e insumos agrícolas pode anular parte dos ganhos obtidos com o preço da commodity.
Especialistas do setor recomendam que as usinas mantenham estratégias de proteção (hedge) bem estruturadas para lidar com as oscilações bruscas. O acompanhamento das condições das lavouras de cana no Centro-Sul do Brasil, que se preparam para o início da nova safra, será o próximo grande direcionador de preços para o mercado, enquanto os investidores continuam a monitorar de perto os desdobramentos diplomáticos e militares no exterior.
