Pesquisadores de Mato Grosso desenvolvem tecnologia para proteger sementes contra o vírus da mancha anelar; projeto visa autonomia na produção de sementes de alta qualidade.
Pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), no campus de Tangará da Serra, desenvolveram uma inovação tecnológica que está sendo chamada de “seguro de vida” para a cultura do mamão no Brasil. O projeto foca na criação de linhagens de sementes resistentes ao vírus da mancha anelar (Papaya ringspot virus), a principal ameaça fitossanitária da cultura no país. Atualmente, os produtores brasileiros dependem fortemente da importação de sementes de Taiwan, o que eleva os custos de produção e gera vulnerabilidade tecnológica.
O “seguro” consiste num processo de melhoramento genético clássico e biotecnológico que identifica e isola genes de resistência em variedades locais, cruzando-os com as variedades comerciais mais produtivas, como o mamão Formosa e o Papaya. O vírus da mancha anelar é devastador, pois não possui cura química e obriga o produtor a erradicar plantações inteiras (o chamado roguing) ao detetar os primeiros sinais de infeção, que incluem manchas oleosas no caule e anéis nos frutos, tornando-os comercialmente inviáveis.
O mercado brasileiro de sementes de mamão é avaliado em milhões de reais, mas a soberania nacional é limitada. As sementes importadas de Taiwan são caras e nem sempre adaptadas às condições de solo e clima do Cerrado ou do Nordeste brasileiro. Com a tecnologia da Unemat, o objetivo é que o Brasil passe de importador a detentor de tecnologia de ponta, reduzindo o preço final da semente para o agricultor e garantindo a estabilidade da oferta de frutos no mercado interno e para exportação.
Além da resistência ao vírus, a pesquisa da Unemat também seleciona plantas com maior shelf-life (tempo de prateleira) e maior teor de açúcar (grau Brix), atendendo às exigências do consumidor moderno. O projeto conta com o apoio da Fapemat (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso) e já atrai o interesse de empresas produtoras de sementes e cooperativas agrícolas. A expectativa é que, em até dois anos, as primeiras variedades comerciais 100% brasileiras e resistentes ao vírus da mancha anelar estejam disponíveis para plantio em larga escala.
