Pesquisa revela forte consciência ambiental no consumo de proteína animal, esbarrando na limitação do poder de compra.
Uma nova pesquisa sobre o comportamento do consumidor brasileiro, divulgada nesta segunda-feira (23 de março), traz um dado revelador para a cadeia produtiva da pecuária: quase 80% dos entrevistados afirmam que a sustentabilidade é um fator determinante na hora de escolher a carne bovina. O estudo aponta que critérios como a ausência de desmatamento, o bem-estar animal e a baixa emissão de carbono deixaram de ser nichos de mercado para se tornarem exigências da maioria da população. No entanto, o levantamento também expõe um gargalo econômico: a grande maioria desses consumidores não está disposta — ou não possui condições financeiras — para pagar um valor adicional (prêmio) por esses atributos.
O cenário coloca a indústria e os produtores diante de um desafio de eficiência. Enquanto o mercado internacional e os investidores pressionam por rastreabilidade total e práticas regenerativas, o mercado interno, que consome a maior parte da produção nacional, apresenta uma sensibilidade aguda aos preços nas gôndolas. Para os especialistas, isso indica que a sustentabilidade na pecuária brasileira não pode ser vista apenas como um “produto de luxo”, mas sim como um padrão operacional que deve ser alcançado sem elevar drasticamente os custos de produção, sob pena de excluir uma parcela significativa da população do consumo de proteína.
O Custo da Sustentabilidade e a Percepção de Valor
A resistência em pagar mais pela carne sustentável reflete o cenário inflacionário que o Brasil enfrentou nos últimos anos. Embora o consumidor valorize a preservação do Pantanal e da Amazônia, a decisão final no supermercado ainda é ditada pelo orçamento familiar. Para contornar esse dilema, o setor aposta em tecnologias que aumentam a produtividade por hectare — como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) — permitindo que o produtor entregue um animal “verde” com um custo competitivo, diluindo os investimentos em sustentabilidade ao longo da cadeia.
O relatório conclui que a comunicação será a chave para os próximos anos. É necessário que o consumidor compreenda que a carne sustentável não é apenas uma escolha ética, mas uma garantia de segurança alimentar e qualidade superior. Instituições do setor sugerem que incentivos governamentais e linhas de crédito específicas para a “pecuária de baixo carbono” podem ajudar a absorver os custos de transição, evitando que o ônus da preservação recaia exclusivamente sobre o prato do brasileiro, garantindo que a liderança de Mato Grosso e do Brasil no setor seja também uma liderança em acessibilidade e responsabilidade ambiental.
